Sociedade Norte-Americana da Menopausa emitiu posição favorável sobre o tratamento de reposição hormonal na Menopausa

A médica Marla Shapiro, eleita presidente da North American Menopause Society (NAMS) ou Sociedade Norte Americana da Menopausa 2016-2017, emitiu nota à imprensa divulgando opinião favorável ao uso da reposição hormonal para mulheres sintomáticas na Transição da Menopausa.

Objetivo principal do Estudo WHI: avaliar o uso da reposição hormonal na prevenção de doenças crônicas do envelhecimento

Na década de 90, em função dos bons resultados encontrados com a reposição hormonal da Menopausa, surgiu grande interesse em avaliar seu uso na prevenção das doenças crônicas do envelhecimento.

Os estudos clínicos e observacionais foram, então, projetados para testar os efeitos dos tratamentos hormonais, em mulheres na pós-menopausa, e o RISCO de doenças cardíacas, fraturas devido a osteopenia e osteoporose, câncer de mama e câncer colorretal.

Apenas 2 tipos de hormônios foram usados no estudo

O estudo Women’s Health Initiative (WHI) testou duas das formulações mais comumente usadas, na época, para o tratamento hormonal da Menopausa:

  • um estrogênio, usado isoladamente, para mulheres que NÃO tinham mais o útero: Conjugado de Estrógenos Equinos
  • um estrogênio + uma progestina [uma associação hormonal] para mulheres que ainda possuíam o útero: Conjugado de Estrógenos Equinos + Medroxiprogesterona

Resultados iniciais do estudo

Mulher sorridente sem maquiagem.

Os resultados iniciais do estudo foram publicados, precipitadamente, sem o tempo suficiente para a adequada análise estatística dos dados encontrados.

Os resultados divulgados à imprensa foram alarmantes porque relataram um aumento de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral [derrame] e câncer de mama na população estudada.

Realizadas correções na análise dos dados publicados em 2002

Desde a época da publicação dos resultados iniciais, em 2002, um grupo de profissionais altamente qualificados, formado por médicos, pesquisadores e estatísticos, tem estudado, com profundidade, os resultados encontrados. Isso se deu em função do estudo ter apontado números totalmente diferentes dos que eram esperados, tendo por base estudos prévios.

Mulheres que participaram do WHI foram divididas de acordo com a idade e anos na Pós-menopausa

Analisaram os dados, novamente, e, então, dividiram todas as mulheres que participaram do estudo e já estavam na Pós-menopausa, de acordo com sua faixa etária. Depois, separaram as mulheres em grupos conforme o número de anos na menopausa.

Desse modo, descobriram que as mulheres participantes, com idades entre 50 e 60 anos, ou que estavam na Pós-menopausa há 10 anos, ou menos, não viram muitas dessas preocupações iniciais.

Mulheres na faixa de 50 a 60 anos e há 10 anos na Pós-menopausa, não apresentaram os problemas anunciados em 2002.

Estudo realizado pelo Brigham and Women’ Hospital, em Boston, analisou a taxa de mortalidade do Estudo WHI

Um novo estudo conduzido por pesquisadores do Brigham and Women’ Hospital, em Boston, nos Estados Unidos, analisou as taxas de mortalidade por todas as causas e as taxas de morte por causas específicas, a longo prazo, das mulheres que haviam participado do estudo WHI e, depois, do encerramento do uso de hormônios.

As novas descobertas foram bastante tranquilizadoras.

No estudo geral de mulheres, com idades entre 50 e 79 anos, os pesquisadores não encontraram aumento ou diminuição na mortalidade total ou morte por doença cardiovascular, câncer ou outras doenças graves.

*** Esclarecendo termos: As taxas de mortalidade e/ou o número de mortes são o resultado final quando se avalia o efeito de um medicamento em desfechos de saúde sérios e potencialmente fatais.

Mulher olha por entre os dedos amedrontada.

Nas mulheres que fizeram reposição hormonal e tinham entre 50 e 79 anos, não houve aumento na mortalidade total, por câncer ou cardiovascular.

Os resultados da análise da mortalidade ou morte encontrados foram mais favoráveis nas mulheres mais jovens que receberam HT quando comparadas às mulheres mais velhas que também receberam terapia hormonal.

Nas mulheres que tinham entre 50 e 59 anos e fizeram reposição, as taxas de mortalidade foram 30% mais baixas, em comparação com as mulheres da mesma idade que não usaram tratamento hormonal.

Mulheres que usaram hormônios, entre 50 e 59 anos, tiveram uma diminuição 30% na mortalidade em geral se comparadas com as mulheres que não usaram reposição hormonal.

Mesmo em mulheres que iniciaram o tratamento com hormônios, quando tinham entre 60 e 70 anos, nenhum efeito na taxa de mortalidade foi observado.

Além disso, ao longo de todo o período do estudo ativo [fase de uso dos hormônios ou placebo] e acompanhamento posterior ao encerramento deste, num total de 18 anos, as mortes globais por doença cardiovascular e câncer não aumentaram nem diminuíram nas mulheres que receberam tratamento hormonal.

Nos 18 anos do estudo WHI, NÃO HOUVE AUMENTO nas mortes por doença cardiovascular e câncer nas mulheres que receberam reposição hormonal.

Os pesquisadores, avaliando estes 18 anos de acompanhamento às pacientes do estudo, descobriram que o número de mortes causado pela doença de Alzheimer e outras formas de demência foi significativamente menor entre as mulheres que fizeram reposição usando apenas o CEE , se comparadas às que usaram placebo.

As mortes por Doença de Alzheimer diminuíram entre as mulheres que fizeram reposição hormonal usando somente o Conjugado de Estrógenos [CEE].

Na mesma análise, quando foi usado o CEE + Medroxiprogesterona, não houve diferenças na mortalidade por demência, se comparado ao placebo [sem hormônios].

Resultados finais do Estudo WHI

Nas palavras da Dra. Marla Shapiro, representando a presidência da North American Menopause Society-NAMS (Sociedade Norte-Americana da Menopausa) – 2016/2017:

Deve se compreender que o estudo WHI abordou os benefícios e riscos das formulações mais comumente usadas para fazer a reposição hormonal na época. Desde então, doses menores, formulações diferentes e novos métodos de administração de hormônios (adesivo hormonal, gel transdérmico, óvulos, etc…) se tornaram disponíveis.”

Em nossos dias, já existem medicações que apresentam a mesma estrutura química dos hormônios produzidos pelo organismo feminino [idênticos] e que poderiam imitar o ritmo dos hormônios ovarianos.

“Pesquisas adicionais, mais recentes, sobre os benefícios e os riscos a longo prazo desses tratamentos são necessárias, mas é muito tranquilizador ver que não há aumento nas taxas de mortalidade por todas as causas relacionadas à reposição hormonal utilizada no WHI.”

É muito tranquilizador ver que não há aumento nas taxas de mortalidade por todas as causas relacionadas à reposição hormonal utilizada no WHI.

Dra. Marla Shapiro

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