Nova cirurgia pode retardar menopausa em até 20 anos.

Cirurgia pode retardar menopausa? De acordo com estudos ingleses, sim! Até parece um milagre! No entanto, esta pode vir a ser a nova realidade para as mulheres mais jovens. Ou seja, prolongar por quase 20 anos a produção dos hormônios ovarianos foi a a promessa que um grupo de médicos britânicos, especializado na realização de fertilizações, fez no mês passado às mulheres.

Retardar a menopausa?!

Equipe médica da ProFam, famosa clínica de infertilidade inglesa, surpreendeu a imprensa no mês de agosto. Euforicamente, divulgaram os ótimos resultados obtidos através do procedimento cirúrgico inédito para tratar mulheres na Menopausa, desenvolvido pelo Dr.Simon Fishel. Imediatamente, o assunto chamou a atenção das mulheres que, em função do aumento da expectativa de vida, tem se preocupado mais com a menopausa.

Expectativa de vida aumentada implicaria em passar quase metade da vida em Menopausa

Cem anos atrás, a expectativa média de vida era de 50 anos. Entretanto, em nossos dias, atingir mais de 80 anos, já é algo comum. Assim sendo, representaria passar 40 ou 50 anos num estado de carência dos hormônios femininos.

Passar quase metade da vida num estado de carência dos hormônios femininos.

Mulher de meia-idade está praticando corrida em campo aberto.

Procedimento melhoraria a vida de milhões de mulheres, retardando o surgimento de sintomas da menopausa, como insônia, alterações de humor, ondas de calor e diminuição do desejo sexual.

Como foi realizado o tratamento?

Foram selecionadas 10 mulheres britânicas com idade entre 22 e 36 anos.

O tratamento constaria de 2 etapas.

Na primeira etapa, uma parte dos ovários da paciente é removida e o tecido é congelado criogenicamente. Na segunda etapa, provavelmente, 15 a 20 anos depois, após os médicos descongelariam os fragmentos ovarianos e reimplantariam na paciente.

Partindo do pressuposto de que o tecido ovariano sobreviva ao processo de descongelamento e de revascularização, ele restauraria os hormônios sexuais que estão em declínio, interrompendo o processo de menopausa.

“Este é o primeiro projeto no mundo a fornecer a criopreservação de tecido ovariano de mulheres saudáveis ​​apenas para retardar a menopausa”, disse o diretor médico da clínica, Dr. Yousri Afifi, ao jornal inglês Sunday Times.

Médico olha resultados dos exames de pacientes no celular.

O procedimento cirúrgico, em si, não é nenhuma novidade.

Os médicos já vêm usando um procedimento semelhante para proteger a fertilidade de meninas e mulheres que estão prestes a receber tratamento contra o câncer. Desse modo, antes de se submeterem a Quimioterapia e Radioterapia, os médicos removem um pouco de tecido ovariano e o congelam. Se a mulher desejar ter filhos, no futuro, o tecido será descongelado e reimplantado próximo às trompas de Falópio, que poderiam, então, voltar a captar os óvulos maduros liberados pelo tecido ovariano reimplantado.

Quanto tempo ?

Quanto o novo procedimento atrasará a menopausa depende da idade em que o fragmento de ovário é retirado e de quando é recolocado. O tecido retirado de uma pessoa de 25 anos de idade poderia adiar a menopausa por 20 anos, enquanto o tecido ovariano de uma pessoa de 40 anos poderia atrasar seu início apenas por cinco anos.

Considerando que a cirurgia pode retardar a menopausa, qual seria o preço?

O procedimento, que custa entre R$ 35.000,00 e R$ 55.000,00, está sendo oferecido a mulheres com até 40 anos de idade. Entretanto, ninguém sabe que tipo de efeitos o procedimento terá sobre as pessoas com o passar do tempo.

Assim sendo, precisamos aguardar!

Sociedade Britânica da Menopausa emite parecer sobre o tratamento

No início de agosto de 2019, o pronunciamento da clínica ProFam, à imprensa, divulgando um novo tratamento para retardar o surgimento da menopausa chamou a atenção da comunidade médica inglesa e da British Menopause Society, entidade médica britânica focada no estudo da Menopausa.

O procedimento, em si, não é novo e tem sido usado, há vários anos, em mulheres jovens que precisam se submeter a tratamento de câncer, correndo o risco de ter sua fertilidade e funcionamento hormonal ovariano afetados. Até a data, mais de 100 crianças nasceram como resultado desta técnica e muitos dos relatórios indicaram que os enxertos de tecido ovariano reimplantados voltaram a funcionar normalmente.

Entretanto, no que se refere a usar este procedimento como tratamento padrão para retardar a Menopausa, muitas questões, ainda, precisam ser esclarecidas.

  1. O estudo incluiu uma amostra constituída de apenas 9 mulheres, portanto, muito pequena.
  2. O relatório sugeriu que o tratamento “poderia ​​atrasar a menopausa em 20 anos”. No entanto, não incluiu um relatório de acompanhamento a longo prazo sobre a segurança desta técnica que visa retardar e tratar a menopausa.
  3. O acompanhamento é particularmente importante pois as pesquisas sobre o uso dessa técnica no tratamento de infertilidade mostraram que os fragmentos de ovário reimplantados nem sempre funcionaram. As chances do implante funcionar e quanto tempo vai continuar a produzir hormônios no organismo da paciente podem variar muito.
  4. As biópsias seriam obtidas por meio de um procedimento cirúrgico que, embora seguro, poderiam ser associadas a possíveis riscos.
  5. As consequências da retirada de partes do ovário sobre o funcionamento hormonal, a longo prazo, incluindo a fertilidade futura, ainda não são conhecidas.
  6. Os riscos do procedimento precisam ser comparados com os tratamentos usados atualmente, incluindo a reposição hormonal. Este último foi bem estudado e a sua segurança já foi demonstrada em numerosos estudos ao longo de muitos anos.

O tratamento apresentado explora um conceito promissor para mulheres que mostram risco de ter uma menopausa induzida provocada por tratamento médico ou cirúrgico. Entretanto, quando se considera esta técnica com o objetivo de retardar a menopausa, é necessária uma avaliação adicional sobre a segurança dessa técnica e sua eficácia.

British Menopause Society, portanto, recomenda que este procedimento seja avaliado com mais estudos clínicos antes de passar a ser usado de rotina.

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